Eu sempre tive vontade de parar de escrever.
É sério… Ainda tenho. Algumas vezes essa vontade dá e passa. Outras vezes ela volta e demora pra ir embora…
E eu parei… Inúmeras vezes. E voltei mais vezes ainda. O problema é que a vontade de voltar anda diminuindo. Dois motivos óbvios: preguiça, e essa briga constante no meu relacionamento com as palavras. Admito que isso desgasta qualquer relação. E eu sou preguiçosa, assumo. Mas, apesar de evidentes, esses não são os motivos reais.
São dois, também, mas outros dois. O primeiro é que eu não acredito no meu texto. Raramente gosto do que leio quando termino de escrever. E é aí que entra o segundo motivo, que na verdade é a falta dele. Ando desmotivada com a minha redação. Só com ela, um negócio bem pessoal mesmo.
Quer dizer… Por que eu deveria dar a cara a tapa quando um asiático que injeta soro direto na veia para estudar 4 horas a mais vai fazer um texto melhor que o meu? Pior: por que terminar meu livro se já há tantos bons escritores publicados com metade dos meus 20 e poucos anos? Por que insistir?
Às vezes até penso que é esse o erro. Insistência, quando deveria ser persistência ou dedicação. Vai ver é falta de talento, mesmo. Ou meu pai tem toda a razão quando diz que eu desisto rápido demais das coisas. Ou rola aquela paixão não duradoura, ou vira um amor de verão, que vai embora e me deixa assim, quase desolada, melancólica e dramática… E no mesmo lugar. Outras vezes penso que isso nunca vai acabar, como essa crônica mal escrita e inversamente a esse papel.
P.S: Acabei de digitar tudo que tinha escrito no rascunho e, adivinhem? Não gostei do que escrevi. Satisfação mandou um beijo.

